Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Bandeira do SOMOSCOOP

Junho de 2018

PELO MENOS três assuntos merecem destaque especial nesta edição da Agroanalysis. Em maio, algumas variáveis do nosso cenário macroeconômico ficaram mais claras: a inflação será baixa, mesmo com o dólar e os combustíveis pressionando; o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será pequeno; e o dólar ficará mais volátil. Neste último caso, que é o de maior interesse imediato para os nossos leitores, as causas são a política de elevação de juros do banco central norte-americano e as incertezas quanto às eleições de novembro. Até as eleições, o dólar vai flutuar mais. Não é impossível que a moeda encoste nos R$ 4, dependendo do que as pesquisas de intenção de voto mostrarem. Por isso, quem está comprando ou vendendo em dólares precisa estar atento. Como o produtor não é um especulador, uma boa regra é comprar ou vender um pouco de cada vez. Desta forma, o valor médio atenua o movimento. Uma eventual perda, ou redução de ganho, tem menor chance de ocorrer. Por exemplo, é recomendável colher o café agora e sair vendendo aos poucos, em vez de estocar ou vender tudo; e, também, ir comprando adubo aos poucos.

Após as eleições, mesmo que um candidato “antimercado" vença, a moeda norte-americana deverá se comportar melhor, porque várias medidas já tomadas e leis promulgadas dificultam muito aventuras populistas. Naturalmente, um candidato comprometido com as reformas necessárias facilita tudo. Seja como for, o setor do agronegócio continuará a sua trajetória de crescimento.

O segundo assunto, tema de capa, é a força do cooperativismo no Brasil. A entrevista com o presidente da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop), Márcio Lopes de Freitas, ilustra bem o assunto. Aqui, vale a pena fazer um alerta: a equipe da Agroanalysis tem notado, em suas peregrinações pelo Brasil, que muitas cooperativas, ou por falta de atenção, ou por alguma outra razão não positiva, estão cobrando de seus cooperados juros de 1,0% ao mês, ou 12,7% ao ano. Enquanto a taxa Selic está em 6,5% ao ano, os juros para o crédito rural estão entre 7,0% e 8,0% ao ano (e talvez sejam reduzidos ainda mais). Já na última safra, a maior parte dos juros para o setor não superava 8,0%. Cobrar 12,7% prejudica o “dono" da cooperativa, ou seja, o cooperado. E não se diga que as sobras são distribuídas, pois elas não compensam. As perdas, principalmente dos pequenos, com estes juros são grandes. Aguardamos comentários das cooperativas que estão praticando essas taxas.

O terceiro assunto em destaque é a nova lei dos defensivos. Nesta edição, apresentamos dois artigos cujos autores defendem a nova lei. Desde já, a Agroanalysis está aberta para este debate tão importante. É preciso conhecer bem antes de defender ou atacar. Não está tão distante no tempo a enorme discussão sobre as sementes transgênicas, hoje assunto bem menos controverso.

As projeções da Canaplan apontam queda na produtividade, em toneladas por hectare, com envelhecimento dos canaviais. As plantas ficam mais sensíveis aos impactos de clima e a pragas e doenças. Desde a crise global da safra 2008/09, a oferta de cana mostra variações ligadas às mudanças no clima nas regiões produtoras, com altos e baixos. Há excedentes globais no mercado de açúcar, em função das ofertas maiores da Índia, do Paquistão e da Tailândia, com preços em limite de baixa. Esse quadro implica uma mudança-chave na produção brasileira pró-etanol.

Na área internacional, surpreende o recente impedimento de embarques de carne de frango de empresas brasileiras aplicado pela União Europeia. Trata-se de um parceiro comercial conhecedor das regras sanitárias. O motivo alegado pelo bloco não tem base científica. No comércio de produtos de origem animal, o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (AMSF), da Organização Mundial do Comércio (OMC), somente considera as exigências sanitárias com o objetivo de proteger a vida e a saúde dos animais e das pessoas. O Brasil acionará o painel de controvérsias na OMC.

A ANUFOOD Brazil, que traz para o Brasil a expertise da Anuga – maior feira mundial de alimentos, realizada na Alemanha –, abrirá um importante espaço para produtos orgânicos. O grande desafio da produção orgânica é ganhar escala para atender os crescentes mercados interno e externo, além de desenvolver uma logística de transporte e armazenagem.

O destaque especial fica para o documento que será entregue aos candidatos à presidência da República com as propostas de longo prazo do agro. Representantes das quinze entidades integrantes do Conselho do Agro analisaram a versão prévia do trabalho em fase de elaboração na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Até o início de julho próximo, o conteúdo estará em estágio avançado de definição. A partir de cenários e projeções, as propostas contemplarão um plano de governo para 2030. Na seção Frases & Comentários, é possível conferir a opinião de algumas personalidades do agronegócio.

Em junho, a homenagem ao meio ambiente justifica, mais uma vez, a publicação na Agroanalysis do Caderno Especial do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). Este é o núcleo de inteligência do programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. No Brasil, cerca de 94% das embalagens plásticas primárias e 80% do total de embalagens vazias de defensivos agrícolas comercializadas possuem destinação ambientalmente correta – um dado que serve de referência aos estudos sobre a prática da sustentabilidade do campo.