Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Pecuária de corte

Confinamento começando a melhorar

Julho de 2018

NO CURTO e no médio prazos (até agosto e setembro), a expectativa é de queda nos preços do milho no mercado interno, conforme avança a colheita da segunda safra. Ao mesmo tempo, a alta do milho verificada até maio e o cenário de pressão de baixa no mercado do boi gordo reduziram a quantidade de animais confinados no primeiro giro do confinamento deste ano. Essa menor oferta de animais confinados poderá puxar os preços da arroba do boi gordo para cima nos contratos com vencimentos entre outubro e novembro.

As cotações da arroba do boi gordo no segundo semestre poderão ficar acima do valor precificado no mercado futuro. Em 20 de junho, na B3 (antiga BM&F), os contratos futuros para outubro sinalizaram para uma arroba de R$ 150,40 para o estado de São Paulo. Para o pecuarista que ainda não se programou para o confinamento, o momento é favorável tanto para a compra de milho, como para a venda de boi gordo.

RESULTADO DA ATIVIDADE

A maior disponibilidade interna de milho, com o avanço da colheita da segunda safra, pressionou para baixo as cotações do cereal em junho. Durante a greve dos caminhoneiros, no final de maio, na região de Campinas-SP, a saca de 60 quilos chegou a ser negociada a R$ 45,00. Na segunda metade de junho, este valor caiu 13,3%, para R$ 39,00.

Em termos de custo da diária do confinamento, ou seja, nos itens da alimentação mais as despesas operacionais, considerando uma dieta com milho grão (48,0%), silagem de milho (42,0%), farelo de soja (7,5%), além de minerais, ureia, sanidade e outros (2,5%), o preço do milho significou uma queda na diária de R$ 10,32, em maio, para R$ 9,55, na segunda metade de junho. A queda no preço do grão foi o que pesou nesse recuo do custo da diária, já que os demais ingredientes tiveram pouca alteração nas cotações nos últimos meses.

Com relação ao boi gordo, a desova de boiadas de safra está praticamente finalizada. Como existem ofertas de compra acima da referência, os frigoríficos encontram dificuldades para compor as escalas de abate. Mas, existem regiões onde a oferta de boiadas está suficiente para atender a demanda, de modo a permitir uma pressão para baixo nos preços pelos compradores. À medida que avança a entressafra, a tendência dos preços é ganhar sustentação.

Pecuária de corte

No mercado físico de Barretos-SP, em 20 de junho, a arroba do boi gordo estava cotada em R$ 138,00, à vista. Conforme mencionado no início deste artigo, na mesma data, os contratos futuros para outubro sinalizaram a cotação da arroba em R$ 150,40.

Com base nesses parâmetros e tomando como pressuposto a entrada dos animais no confinamento em julho e a saída em outubro, com ganho de peso médio diário de 1,5 quilo e rendimento de carcaça de 55%, o lucro por cabeça confinada está estimado em R$ 10,26.

Se a expectativa de queda no preço do milho no segundo semestre se concretizar, o custo da diária poderá ser ainda menor do que o valor utilizado na simulação (R$ 9,55). Por exemplo, se a cotação do cereal baixar para R$ 36,00 a saca em Campinas – que é o preço futuro na bolsa para agosto e setembro –, a estimativa da diária cai para R$ 9,12/cabeça. Somente com a alteração desse parâmetro, o resultado seria de um lucro de R$ 48,96/cabeça confinada no segundo giro.