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Especial Café

Café e responsabilidade Social

Sila Brasileiro

A importância social da cafeicultura no Brasil é indiscutível. Formada principalmente por produtores pequenos e médios, a produção se distribui por diversas regiões, nas quais é fator de desenvolvimento regional, geração de empregos e renda bem distribuída.

Nessas regiões, quando o café vai bem, tudo vai bem e, ao contrário, quando o café vai mal, tudo acaba indo mal. Quando o café vai mal, custos sociais antes supridos pela atividade passam a ter de ser supridos por estados e municípios. Seguro- desemprego, necessidade de distribuição de cestas básicas, superlotação de centros de saúde devido principalmente à alimentação insuficiente. Os municípios acabam arcando com despesas para as quais não possui receita suficiente.

A renda do cafeicultor movimenta o comércio e a indústria, prestadores de serviços são mais bem remunerados, a economia regional ganha impulso e seu efeito multiplicador gera bem-estar para a população em geral.

O governo do presidente Lula vem dispensando uma atenção especial para os setores agrícolas, cuja dívida vem sendo analisada juntamente com o Congresso Nacional em busca de uma solução definitiva. Agora, o País abre seus olhos para a cafeicultura, um dos setores da economia que sofre grande impacto com a valorização do real, por ser fundamentalmente exportador.

Em consonância com a política social dirigida pelo Palácio do Planalto, o ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento Reinhold Stephanes tem se esforçado pela implementação de programas que possam proporcionar ao cafeicultor renda compatível com os custos de produção e os investimentos efetuados.

Assim, da mesma forma que para outros setores agrícolas, foi implementado já nesta safra de 2007 o Pepro para o café, programa que visa a suplementar o preço para produtores que comercializarem sua produção dentro de determinadas condições. Trata-se de um programa que, no caso do café, atende principalmente aos  pequenos e médios produtores, estando limitado a 300 sacas por produtor, e que visa a dar fluxo à safra, ou seja, trata-se de um incentivo para que o produtor não segure sua safra esperando melhores preços nem recorra a financiamentos para esse fim, recebendo para isso um adicional de preço.

Tendo em vista o inegável sucesso dessa primeira iniciativa, e seu profundo caráter social, o Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) aprovou para o próximo ano a aplicação de R$ 300 milhões para esse fim, com recursos do Funcafé. Na mesma linha de se buscar maior renda para o produtor, num momento em que os preços sofrem o impacto da valorização de nossa moeda e a produção os efeitos de uma seca, o CDPC aprovou também R$ 750 milhões para um programa de opções públicas que nos permitirão administrar o fluxo de oferta, balanceando-a entre as próximas duas safras.

Esses programas demonstram bem que o governo federal buscará, em suas políticas públicas, fazer com que a cafeicultura possa arcar com suas responsabilidades sociais, ao mesmo tempo em que abastece o mercado interno e continue gerando importantes divisas para o Brasil.

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Silas Brasileiro é secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)