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Agronegócio dos EUA

Cenário atual e perspectivas

O agronegócio dos Estados Unidos iniciou 2011 embalado pelo recorde nas exportações agrícolas alcançado no ano anterior (2010 - US$ 115,8 bilhões).

Conforme estimativas recém-divulgadas, as exportações do ano fiscal de 2011 deverão crescer aproximadamente 25% em valor e 10% em volume sobre o registrado em 2010.

Por outro lado, também está previsto um recorde de US$ 88 bilhões em importações no ano fiscal de 2011. Quase metade dessas importações será de vegetais frescos. Outros 25%, porém, serão em açúcar e produtos tropicais, como café, cacau e borracha. Produtos em que o Brasil mantém tradição exportadora para os EUA.

O reaquecimento da economia norte-americana poderá, em princípio, elevar a demanda por importações dos produtos que o Brasil já exporta aos EUA. Por outro lado, considerando o desempenho esperado para o agronegócio norte-americano, é possível que a competição por market share internacional fique ainda mais acirrada entre ambos os países. Nesse contexto, observar as projeções para o agronegócio norte-americano pode ser útil para identificarmos oportunidades comerciais em relação aos EUA e antevermos desafios no comércio exterior.

Em linhas gerais, preços elevados motivarão a adição de, aproximadamente, 4 milhões de hectares à área plantada com as oito principais culturas nos EUA, tornando-a 4% maior em relação ao observado em 2010 (trigo, milho, cevada, sorgo, aveia, soja, arroz e algodão). Maiores retornos esperados para soja, milho e algodão irão, provavelmente, ocasionar a redução da área destinada ao arroz em 2011.

Nesse contexto, cabe identificar tendências relacionadas à Farm Bill 2012. A necessidade de redução do déficit público interferirá, decisivamente, na formulação da Lei Agrícola. Assim, a Comissão de Agricultura da Câmara terá de trabalhar dentro do limite que receberá da Comissão de Orçamento. Haverá pouca, ou nenhuma, margem para ampliação do orçamento agrícola. Por outro lado, cortes muito expressivos contrariariam a tendência, uma vez que o orçamento do Usda representa apenas 2,15% do gasto federal. Desses, aproximadamente 75% são alocados em “programas de ajuda alimentar” (Food Stamps) e apenas 7% em Commodities Programs. Os Direct Payments, em especial, significam apenas 5% da estimativa de gasto do Usda. Assim, eliminar esses pagamentos diretos, simplesmente, não significa muito em termos de redução do déficit orçamentário. Em caso de necessidade de cortes, a tendência seria reduzir o montante destinado aos Direct Payments, alocando parte dos recursos para o reforço a outros programas da Safety Net rural norte-americana (Crop Insurances e Programa de Garantia de Receita - Acre).

Além disso, os incentivos para a mistura de etanol à gasolina (US$ 0,45/galão ou US$ 0,12/litro), bem como o imposto sobre as importações (US$ 0,54/galão ou US$ 0,14/litro) foram mantidos até o fim de 2011, ajudando a manter o preço do etanol compensador e reduzindo a competitividade do etanol brasileiro no mercado dos EUA. Contudo, apesar de o setor produtivo dos EUA não estar mobilizado em torno de uma proposta única, pode-se notar certa tendência à defesa da alocação de parte dos incentivos para incremento de infraestrutura, como a instalação de bombas apropriadas para etanol nos postos de varejistas. Por outro lado, a manutenção da tarifa de importação deve ser solicitada.

Sobre as perspectivas para o acesso de novos produtos brasileiros, ressalto o reconhecimento da condição sanitária de Santa Catarina (SC) no fim de 2010.

Vencida esta etapa, o Mapa está trabalhando para habilitar os estabelecimentos exportadores de carne suína in natura de SC, no que se refere aos requisitos de higiene e saúde pública veterinária dos EUA. Até junho de 2011 o Mapa pretende identificar os estabelecimentos em condições de receberem auditoria para habilitação pelo Usda. Cabe salientar

a oportunidade criada para demais produtos pelo reconhecimento da sanidade animal em SC. Além de carne in natura, animais vivos e material genético de ruminantes e suínos estão contemplados pelo reconhecimento e também devem ser explorados. Atenção para o potencial do material genético bovino.

Acompanhar de perto o agronegócio dos EUA tem sido experiência enriquecedora. Apesar das muitas diferenças, observo muito mais similaridades entre o agro dos EUA e o nosso brasileiro. Aos poucos, observando a evolução das diferentes áreas daqui, é possível identificar as principais tendências e antever os grandes fenômenos que modelarão o agronegócio brasileiro. Neste contexto, as infinitas potencialidades do Brasil tornam tal exercício ainda mais prazeroso, pois, nada melhor que superar as expectativas e fazer ainda melhor. O Brasil tem feito assim.

Horrys Friaça, Adido Agrícola na Embaixada do Brasil em Washington