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O agronegócio é o seguinte

O mundo discute a segurança alimentar

Não há como negar o aquecimento nos preços dos alimentos, enquanto rareiam as fontes de fornecimento e assistimos a revoltas populares, em particular nos países mais pobres. Por sua vez, para os próximos anos, nada indica arrefecimento da carestia, frente o explosivo aumento populacional e os desajustes nos padrões climáticos globais. Temos ainda os problemas de perdas geradas na colheita (em países pobres) e má distribuição (em países ricos). As expectativas futuras estão depositadas na redução dessas perdas e em cima das tecnologias geradas pelas pesquisas. 

A tradicional e crível revista  The Economist acaba de editar um ensaio bem meticuloso sobre as principais questões relacionadas à escassez de alimentos. Enquanto em 2000 as carnes representavam 20% das calorias consumidas, a FAO prevê que em 2050 essa parcela se eleve para cerca de 30%. Esse processo de “carnivorização” da dieta alimentar é intensificado pelo desenvolvimento de nações emergentes, onde grande contingente populacional alcança maior poder de compra e, assim, passa a ter acesso a alimentos considerados mais nobres, como as carnes. A citada matéria ainda menciona o problema da competição entre o milho utilizado para produzir etanol e os alimentos. E conclui deixando claro a enorme superioridade do etanol derivado da cana-de-açúcar, no qual não há esta competição.

Também o recente Agricultural Outlook Forum 2011, realizado em Arlington, nos Estados Unidos, mostrou toda uma preocupação de como o crescimento da população mundial e a ascensão e mudança dos hábitos alimentares da classe média em países com grandes populações, como a China e a Índia, mostram uma nova realidade. 

Também no Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, o tema da alimentação veio à tona. 

Christine Lagarde, ministra da Economia da França, citou que “85% das posições de compra das matérias-primas agrícolas são feitas por investidores do mundo financeiro. Os produtores rurais ficam fora, e a financeirização do mercado de derivativos acentua a flutuação dos preços”. A posição brasileira é encontrar uma solução para evitar uma ação dominante dos especuladores no mercado. Isso não passa pela regulação 

do preço de commodities, mas, sim, pela redução do excesso de subsídios e da intervenção governamental nos mercados agrícolas. 

O caderno especial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) destaca que o País pode ser uma plêiade internacional de commodities e, ao mesmo tempo, estratégico do ponto de vista social e ambiental. Isso significa, nada mais, nada menos, crescer de forma sustentável. A própria entidade tem construído, ao longo de quatro décadas, uma imagem mundialmente associada aos avanços tecnológicos na agricultura tropical, na linha de vanguarda do desenvolvimento sustentável, inclusive com grande destaque na área de biocombustível.

Na verdade, a dimensão do papel da Embrapa se confunde com o rumo nacional, quando se trata de reunir agricultura, pecuária e, também, sustentabilidade. O seu desafio permanente é o de permitir o contínuo avanço da agricultura brasileira, em sintonia com o contexto contemporâneo, em que as questões relacionadas à chamada “economia verde” surgem cada vez mais como uma necessidade em todos os segmentos produtivos.

A última ata do Copom e as últimas atitudes do governo reforçam o entendimento que Agroanalisys está tendo da política monetária do governo Dilma. Não se trata mais de elevação indiscriminada da Selic, com todos seus pesados efeitos colaterais. Medidas fiscais e outras de natureza macroprudenciais (de contenção de demanda) serão sempre consideradas. Alexandre Tombini dialoga muito mais do que Henrique Meirelles fazia, mas sem perder a autonomia do Bacen. A Selic vai terminar o ano em nível menor do que acha o mercado financeiro (algumas poucas instituições começam a perceber este fato).

A ata do Copom aponta também para um dólar estável, no nível atual, para 2011.

O governo está muito concentrado em não deixar o dólar cair mais em relação ao real, o que fica muito difícil com o elevado nível da Selic. Portanto, não será surpresa se algumas medidas cambiais surgirem, como, por exemplo, mais um aumento do IOF para entrada de dinheiro novo. Os gastos com cartão de crédito já tiveram o IOF majorado! Atenção, entendemos um dólar razoavelmente estável no médio prazo, mas com tendência de alta no longo prazo.