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Sociedade Rural Brasileira

Sociedade Rural Brasileira

Após três anos ocupando este espaço, e na iminência de seu 93º aniversário, pretendo resgatar algumas passagens que contam um pouco da história da Sociedade Rural Brasileira e, consequentemente, da agropecuária nacional.

Síntese de múltiplas experiências, a Rural reuniu na sua fundação cafeicultores, pecuaristas, intelectuais, industriais e comerciantes ligados ao setor e líderes da imprensa, todos motivados inicialmente por uma aspiração comum: representar a produção rural brasileira.

Com uma trajetória moldada pela disposição ao debate e alternância de direção, ela gerou conhecimento e tornou-se um celeiro de líderes que contribuíram para promover a diversidade do pensamento do setor. Oito de seus ex-presidentes foram secretários de Agricultura do Estado de São Paulo, sem citar diretores que exerceram o cargo em outros Estados. Três foram ministros da Agricultura, e um diretor foi ministro da Fazenda.

Ao se aproximar do centenário, percebemos que, ao longo deste “curto” período histórico, a Rural ajudou a fazer democracia e a mudar a face do Brasil, tecendo a crítica antecedente e objetiva para transformar as ameaças e os obstáculos em oportunidades.

O conceito de sustentabilidade, tão em voga atualmente, é preocupação da Rural desde as primeiras edições de sua Revista, quando tratava das queimadas, da utilização correta dos recursos hídricos, da boa correção do solo e do uso racional da adubação química e dos defensivos. Sempre levando em conta que o desenvolvimento sustentável deve ser amparado pelo tripé ambiental, econômico e social.

Foi também a primeira a contestar a dependência brasileira dos defensivos químicos importados e a pensar nas formas de melhorar o fornecimento interno com o desenvolvimento da indústria de adubos. Assim, mais que inovar, a Rural quis antecipar o futuro da agricultura com discussões, opiniões, projetos e ações.

Combatemos abertamente o modelo equivocado de câmbio fixo e os controles de preços na década de 1980, quadro que nos levaria aos sucessivos planos de congelamento integral dos preços e salários, advertindo que quem pagaria a conta fiscal seria a agricultura e seus agricultores. E não deu outra.

Na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, fomos determinantes na formação da frente parlamentar rural, quando, sob a liderança do então presidente Flavio Menezes, conseguimos inserir salvaguardas essenciais ao setor produtivo no documento.

Recentemente, levantamos as bandeiras da produção rural brasileira juntamente com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) nas reuniões da OMC, nas Conferências da ONU sobre o Clima e Água e nos encontros da Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm), estância maior da representação política do agro no continente.

Com afinco, a entidade tem se dedicado ao calcanhar de aquiles do agronegócio nacional: a aprovação do novo Código Florestal. Após estudar a matéria, chegamos à conclusão de que a lei vigente é impossível de ser cumprida. Espero que consigamos modificá-la para efetivamente cumprir seu papel de conservação, sem barrar a produção e o desenvolvimento do País.

Ou seja, a Rural esteve presente em praticamente todos os temas que mobilizaram o setor rural brasileiro nos últimos 90 anos.

E não pararemos. Aposta recente da Rural, a formação de novas lideranças, através da criação do Departamento de Jovens, é motivo de orgulho e semente que certamente frutificará.

Portanto, este século de vida da Sociedade Rural Brasileira evidencia que o Brasil é capaz de mostrar ao mundo a rota do desenvolvimento socioeconômico, por meio da agricultura. O futuro está em pensar na grandiosidade da nossa produção com as responsabilidades compatíveis ao seu tamanho. A inserção de nossa agricultura no mundo passa por pensá-la de forma competente, e a Rural deve prosseguir como entidade pensante desta agricultura.

Defendendo sempre a produção rural brasileira e o seu herói, o produtor, seja ele pequeno, médio ou grande.

Cesário Ramalho, Presidente da Sociedade Rural Brasileira